Do lixo ao LUXO!

Brechós em Brasília trabalham com a excelência na venda de peças semi novas por preço mais acessível que em lojas

Texto e fotos: Magdalena Bertola

 

Reza a lenda que no século XIX havia, no Rio de Janeiro, um sujeito chamado Belchior. Esse homem, segundo dizem, era um vendedor ambulante que ficou conhecido pelas suas mercadorias: roupas e objetos usados.

Como o homem chegou a ter uma certa fama pelas ruas cariocas, as lojas que vendiam produtos na mesma condição que ele, acabaram por se tornar conhecidas como lojas de Belchior. Mas como tantas outras palavras, o nome se transformou com o tempo, chegando até o que é hoje, brechó.

 

No Varal Retrô é possível achar acessórios para você e para casa - Foto: Magdalena Bertola

No Varal Retrô é possível achar acessórios para você e para casa – Foto: Magdalena Bertola

Muitas pessoas cos­tumam torcer o nariz quando o assunto é bre­chó. Consideram lixo roupas usadas e vendidas por preços baixos. Mas esse cenário está mudan­do: em Brasília, muitos desses estabelecimentos optam pelo semi­novo, aquela roupa usada mesmo apenas algumas vezes e que está em per­feito estado, como nova. É isso que faz o sucesso do Brechó Brasília, que só aceita peças em perfeito estado de conservação e prontas pra ir pro cabide, “Os clientes precisam trazer as roupas limpas e passadas”, diz Jakeline Otoni, dona.

 

Instalado há nove anos no Setor Comercial Sul, o brechó Brasília vende jaquetas de couro a partir de no­venta reais e vestidos de festa a vinte. O grande diferen­cial da loja é a quantidade de peças masculinas, de couro e de inverno. Jakeline diz que a ideia do brechó é a conscientização com relação à reciclagem, “Quem busca roupas em brechó é quem procura por roupas di­ferentes, e que dará valor a elas, e nós favorecemos o cliente pelo preço e pela qualidade das peças”, acres­centa.

 

Pela grande rotatividade, é possível en­contrar clientes que procuram desde roupas e sapatos sociais até quem procura um visual mais rock’n’roll, “Muitas pes­soas também vêm aqui procurar roupas para neve, por que sai muito mais em conta do que comprar peças no­vas ou no exterior. Geralmente quem vende essas roupas para o brechó, é quem usou a peça poucas vezes e não sabe quando e nem se irá usar de novo”, diz a proprietária.

Contrastando com as peças de inverno e couro do Brasília, o brechó Varal Retrô, conta com peças vin­tage e bijouterias, além uma loja com peças no­vas, “O Varal existe há três anos nesse endere­ço, muitas pessoas vêm em busca de peças diferenciadas e retrô, além de bolsas e peças de marcas famosas. No térreo temos a loja de pe­ças novas, no subsolo tem brechó masculino e de calçados, e no primeiro andar, a parte feminina”, diz a atendente Cassia Sarnento.

 

O local faz a cabeça de muitos fashionistas e tam­bém de pessoal mais alterna­tivo que tenha um dinheiro sobrando, sendo que as rou­pas valem mais do que em outros locais, um sobretudo de lã, por exemplo, sai a 140 reais, uma calça usada da Diesel não sai menos de 200, mas existem peças que chegam a valer bem mais. Além disso, as peças da lo­jinha são bem diferenciadas, pode-se encontrar desde co­lares até acessórios para casa, tudo com muita cor e estilo. Também é fácil encontrar co­turnos e botas por lá por um bom preço, assim como as pantufas de adulto.

O Empório das Grifes, antigo Usado Transado, é um brechó mais casual, voltado somente ao público feminino adulto, vendendo peças novas e usadas – em ótimo estado – a preços baixos. A maioria das peças são de marcas nacionais, porém é possível achar peças de Luigi Bertolli e Zara, e muitas são fruto de lojas que fecharam e decidiram vender as peças para o brechó. De botas a saltos, pode-se encontrar uma grande variedade de calçados como Arezzo e Schutz, e muitos deles nun­ca sequer foram usados “Muitas pessoas trazem sapatos que ganharam e ficaram pequenos, ou que compraram e nunca usaram, e esses são vendidos a preços abaixo dos das lojas”, diz Elizeu Silva da Cruz, que assumiu o Empório há seis anos.

Na parte de acessórios, a variedade também é gran­de: encontra-se colares e pulseiras de oito a 60 reais, “Nós vendemos tudo que for voltado ao público fe­minino”, diz Elizeu. É fácil achar bolsas por vinte reais, mas o brechó já teve marcas como Louis Vuitton ou Fen­di, que chegam a 1200 reais.

No Empório das Grifes, acessórios e roupas a partir de R$8,00 - Foto: Magdalena Bertola

No Empório das Grifes, acessórios e roupas a partir de R$8,00 – Foto: Magdalena Bertola

Algumas peças nem sequer chegam a ser expostas, já que o Empório das Griffes possui uma clientela fiel, “Aqui, a maioria das clientes se tornam amigas de tão fiéis que são, algumas chegam a vir ao brechó duas ou três vezes na semana e algumas peças nem são expostas pois são vendidas logo de cara”, afirma Cruz.

 

Já o Peça Rara, localizado quase em frente ao Em­pório, é um brechó diferente. É voltado so­mente às mulheres e ao público infantil, vendendo ber­ços, roupinhas de bebê, brinquedos, poltronas e muito mais para as crianças na parte térrea da loja. Para as mu­lheres, encontra-se todo o tipo de roupa, sapa­tos e bolsas no andar superior. Bruna Vasconi, dona, diz que teve a ideia de abrir um brechó quando leu, cerca de oito anos atrás, uma ma­téria na “Pequenas Empresas, Grandes Negó­cios” que mostrava um brechó infantil em São Paulo, quando esteve na cidade, visitou o local e isso a motivou para abrir o próprio, “Abri um com uma amiga minha, e foi o primeiro brechó infantil de Brasília, mas fiquei pouco tempo por lá, e assim que saí, montei o meu com meus pais, não somente para crianças mas também para as mulheres”. Bruna conta que sempre teve vontade de abrir um comércio, “Eu sempre vendi alguma coisa, de lingerie à jóias”,diz, “na época eu já tinha meus dois fi­lhos e queria fazer algo diferente, quando li a matéria, fiquei encantada”, completa.

 

O local tra­balha com con­signação com os donos das peças, além disso, a equipe faz uma seleção um pou­co rigorosa do que sabem que irá vender e co­locam os preços de acordo com a noção de valor da peça para evi­tar devolução ao máximo, “Mas mesmo assim ainda sobram algumas. À me­dida que descem para o depósito, entramos em contato com os donos para fazer a devolução, mas atualmente mui­tos acabam por autorizar a doação das peças”, completa Vasconi. A maioria das peças que sobram são infantis, por isso, a doação é feita a orfanatos carentes, “Muitas pessoas doam peças a locais que já recebem muitas doa­ções, e orfanatos recém-inaugurados ou muito carentes, acabam ficando sem ajuda, enquanto outros acabam não dando tanto valor”. Atualmente, o Peça Rara está doan­do para o Larzinho Bezerra de Menezes.

 

Na parte infantil, as mamães podem comprar poltro­nas sem nenhum defeito e cara nova por 200 reais, berços à partir de 400, camas de 800 e carrinhos de bebê a partir de 230 reais, tudo em perfeito estado. Na parte feminina, encontra-se vestidos de malha por quarenta reais, além de saltos e bolsas, tudo custando 50% ou menos do valor das lojas, “A ideia de brechó é vender as coisas por um preço mais em conta, aqui não vendemos apenas marcas famosas e chiques, temos peças de lojas de departamento que são lindas e estão novas”, afirma Vasconi.

 

Parte infantil do Peça Rara traz tudo para os bebês e mamães - Foto: Magdalena Bertola

Parte infantil do Peça Rara traz tudo para os bebês e mamães – Foto: Magdalena Bertola

O Peça Rara cresceu tanto com sua proposta de vender móveis e roupas, que acabou por criar o Peça Rara Mais e o Peça Rara Ele. Localizado na 408 Sul, o Peça Rara Mais vende, além da parte feminina e infan­til, móveis para adultos, lá pode-se encontrar camas, ar­mários, mesas, colchões, sofás e muitas outras mobílias e muito mais para “vestir” sua casa por 50% ou menos do valor original. Já o Peça Rara Ele existe desde mar­ço de 2012, também na 408 Sul, e, como o nome já diz, é voltado para o público masculino.

Para quem ainda torce o nariz para os brechós, vale a pena despir o preconceito e aproveitar as grandes ofertas dos brechós do Distrito Federal.

 

 

 

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